Narcos: do luxo à decadência de Pablo Escobar

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Quem já assistiu a Narcos? Eu terminei em uma semana, mas a vida corrida de concursos não me permitiu atualizar a página antes. Enfim. Tenho muito o que dizer sobre a segunda temporada. Caso você ainda não tenha visto, mesmo com vários cartazes em São Paulo divulgando a série (se você mora em território paulistano está complicado fugir dos olhares de Escobar), aproveite o seu fim de semana na companhia de Wagner Moura e Pedro Pascal.

O texto a seguir possui spoilers caso você não tenha visto a segunda temporada completa.

Wagner Moura deixará saudade! Apesar das críticas quanto ao sotaque do ator na primeira temporada – aspecto o qual não me importei devido ao pacote completo de atuação que ator apresentou -, Wagner se superou mais ainda. Apesar da narração da série continuar com o personagem Murphy, é o brasileiro que rouba todas as cenas e marca uma presença forte tanto por conta da figura de Escobar quanto por conta da excelente atuação.

Mas os dias de glória de Moura na série são finalizados no décimo episódio. Nessa temporada, é o fim da era Escobar na Colômbia. É mostrada toda a trajetória do narcotraficante desde a fuga da mansão de luxo – tema do último episódio da primeira temporada.

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A corrida na busca de Escobar é tensa. Os agentes americanos Peña e Murphy agora têm de obedecer a ordens de superiores e devido à tanta burocracia, Peña decide antecipar a morte de Escobar se juntando ao cartel de Cáli e até à guerrilha colombiana. Mesmo sabendo dos riscos, ele decide se envolver para agilizar o processo.

Os agentes do DEA (Drugs Enforcement Administration) estão cansados da trajetória e não aguentam mais tantos desencontros com Escobar. E não são só eles. A esposa de Murphy o deixa para trás e leva a filha com ela para os Estados Unidos. A busca se torna cada vez mais violenta. Os policiais não são os únicos que sofrem com isso. Escobar perde aos poucos o apoio da população. Dinheiro perde a força quando comparado com mortes de civis.

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A segunda temporada jorra muito mais sangue. A frieza dos Pepes nos lembra até de outra obra protagonizada também por Wagner Moura: o filme Tropa de Elite. Embora haja tanta violência, a trama é muito envolvente. Também não aguentamos mais as várias fazendas nas quais Escobar se esconde.

Porém aos poucos, Pablo se torna decadente. Quase no fim, recorre ao pai, fazendeiro humilde, engorda, e se vê acompanhado apenas de um capanga, Limon, o mais recente deles.

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Mesmo no fim da era Escobar, Limon, não deixa de atrapalhar a vida da amiga Maritza. A feirante só queria ganhar um pouco de dinheiro para sustentar a filha e a princípio, Limon tinha atenção de ajudar. Mas as coisas saem do controle assim como tudo próximo de Escobar, e mesmo torcendo por Maritza, ela tem um fim previsível.

Não entrarei na seara das diferenças entre realidade e ficção, porém recentemente li uma entrevista com o filho de Escobar, Sebástian Marroquín. Apesar de criticar Narcos, ele faz da vida do pai o seu ganha pão até hoje com palestras contra o mundo do tráfico e vendendo artigos que mencionam Escobar.

Sebástian critica Narcos por distorcer vários fatos da história do pai, defender o ponto de vista dos americanos e, principalmente, por Padilha não o ouvir e não o considerar como fonte de informações para a construção da narrativa. Concordo com ele ao dizer que Escobar é representado quase como um herói, um homem forte e praticamente indestrutível, porém quando critica os produtores de Narcos em não consultar a família tanto sobre a representação deles na série assim como em pedir informações, parece-me ter se sentido de lado. Ele defende que apenas sua obra “Pablo Escobar, meu pai: as histórias que não deveríamos saber” conta a verdade sobre a vida do narcotraficante.

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Eu concordo que ele seria uma fonte interessante, mas defender que apenas o ponto de vista dele é o correto? Nesse aspecto acredito que ele quer vender o livro. Havia tantas pessoas envolvidas nas extravagancias de Escobar que talvez o filho de então quatorze anos (idade de Sebástian quando Pablo morreu) não fosse a fonte mais fiel.

De qualquer forma, Narcos representa uma mistura de ficção com história, portanto não necessariamente precisa captar todos os aspectos conforme a realidade. Afinal, é preciso um pouco de dramatização para tornar a série tão viciante.


Próximas Temporadas

A segunda temporada de Narcos mal havia sido disponibilizada na Netflix e já confirmaram a terceira e quarta. Os produtores devem ter se empolgado com o retorno considerável nas duas primeiras, porém a série sobreviverá sem o personagem de Pablo Escobar?

Escobar sempre foi a cara de Narcos, portanto acho um risco continuar a série com personagens secundários – o cartel de Cáli – e os tornar protagonistas quando a produção finalizou a segunda temporada no auge. Torcerei para a trama continuar o mesmo nível de excelência, mesmo com dor ao deixar Wagner Moura no passado.

Junto à notícia, a Netflix divulgou um teaser da próxima temporada brincando com a ambiguidade da palavra “carreira” devido ao contexto da cocaína. Assista ao vídeo abaixo:

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